O Regresso às Aulas

O mês de Setembro já começou e, com ele, o regresso às aulas. Para a comunidade escolar, este regresso simboliza voltar a reencontrar os amigos e dividir momentos de felicidade. Sabe-se que esta época pode estar relacionada à mudança, seja ela uma mudança de escola, de professor, de turma de atividades extra-curriculares e isto pode desencadear algum stress e ansiedade.


O próximo ano letivo já tem início sem aquilo a que fomos acostumados nos últimos dois anos: isolamento, distanciamento social e máscaras e, assim sendo, todos poderão retomar à normalidade, mas até que ponto isto será natural? A ausência de comunicação presencial com os colegas, professores e auxiliares trouxe consigo a dificuldade em treinarem competências essenciais aos relacionamentos saudáveis como: resolução de conflitos, regulação emocional; etc.


Com isto, é importante que os pais fortaleçam a importância da independência e responsabilidade que os filhos começam a ter quando estão longe, ou seja, famílias que exercem uma “superproteção”, estão na realidade a produzir uma maior dependência por parte das crianças. Isto acontece, visto que, esta proteção excessiva pode levar a altos níveis de ansiedade, pelo facto dos seus filhos sentirem que os pais ou cuidadores legais estarão constantemente a resolver as suas dificuldades e problemas, não deixando a criança/jovem desenvolver a sua criatividade e independência, tornando-as em indivíduos inseguros e imaturos.



Nos dias de hoje, todos os alunos são rotulados pelas notas académicas, e pelo seu desempenho escolar, desvalorizando o seu esforço e sucesso pelas pequenas conquistas do dia-a-dia, reduzindo a sua identidade a Boas/más notas.

Notas académicas não equivalem a adquirir valores pessoais essenciais a transformar um adulto saudável. Quando reforçamos a necessidade de “teres boas notas, para seres um bom menino”, estamos a construir a constante necessidade de validade externa, semeando inseguranças e dúvidas.


O resultado é um ciclo vicioso de auto-preocupação. Na busca de valor próprio através de resultados, continuamos movendo as nossas aspirações um passo adiante, e o fim do arco-íris move-se à nossa frente, por mais perto que estejamos. Esta busca incessante pode retê-lo e limitar a sua felicidade de três maneiras. Em primeiro lugar, é um fantasma faminto: um desejo insaciável de aprovação infinita. Em segundo lugar, embora inicialmente possa aumentar o desempenho (em nosso desejo de impressionar a nós mesmos e aos outros), acaba limitando a nossa eficácia e resiliência. Terceiro, é uma receita para o narcisismo, a ansiedade e a depressão.

O valor próprio é um companheiro leal, que não depende de atender às expectativas — nem dos outros nem de nós mesmos (“Se eu tiver boas notas...”). O valor próprio é independente do nosso desempenho; é uma amizade fundamental e incondicional connosco. Podemos ter valor mesmo quando tivemos negativa a inglês, caímos na aula de educação física ou somos rejeitados. Não importa para onde vamos, nós nos levamos connosco.

Quando descentramos o valor de um jovem baseado em notas académicas, estamos a retirar o peso de provar a si mesmo que tem valor. Dando-lhe um sentido incondicional do seu próprio valor, dando uma nova oportunidade de felicidade e liberdade. Desenvolve energia e resistência. Mais facilmente recupera de contratempos e ganha confiança de que pode se desenvolver e crescer.